Oficinas abrem etapa de engajamento das empresas âncoras

O projeto ICV Global atua com empresas-âncoras para o engajamento destas no processo de conformação em sustentabilidade de empresas presentes na cadeia de valor 24/04/2015
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Por Milene Fukuda (GVces)

Além de trabalhar junto às 10 MPEs selecionadas, o projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global), iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) e da Apex-Brasil, analisou potenciais empresas brasileiras de grande porte para a nova etapa do projeto que busca contribuir para o posicionamento de cadeias de valor com atributos de sustentabilidade em mercados internacionais. 

O termo ‘empresas-âncora’ refere-se a empresas de grande porte que possuem uma ampla cadeia de valor passível de aprimoramentos relacionados à incorporação de atributos de sustentabilidade em suas políticas, processos e práticas. As empresas escolhidas foram a Braskem e a Beraca, âncoras que demonstraram o interesse em se posicionar como indutoras de práticas sustentáveis nas cadeias de valor que atuam.

A equipe do projeto forneceu suporte às âncoras no processo de seleção e engajamento das suas parceiras na cadeia de valor, acordando com elas os critérios de elegibilidade e seleção. Cada âncora pôde selecionar até 15 empresas parceiras, atuantes tanto à montante quanto à jusante das suas cadeias. 

Com o objetivo de oferecer às pequenas e médias empresas presentes nas cadeias de valor destas empresas-âncora oportunidades de formação em sustentabilidade, já foram realizadas duas oficinas, de um total de três previstas. Para que houvesse aprofundamento das questões específicas de cada cadeia, as oficinas para a cadeia de cada âncora foram realizadas separadamente.

A primeira oficina ocorreu em fevereiro deste ano e apresentou a Apex-Brasil e seus serviços em internacionalização, e tratou de conteúdos estratégicos sobre sustentabilidade, explicitando como os conceitos abordados podem ser apropriados pelas empresas para gerarem diferenciais competitivos. Além disso, cada empresa âncora compartilhou com os convidados os objetivos, metas e estratégias que vão ao encontro do objetivo de internacionalização com atributos de inovação e sustentabilidade. 

O dia foi encerrado com uma atividade de análise SWOT cujo objetivo era capacitar no mapeamento de riscos e oportunidades relativos à sustentabilidade nas cadeias de valor e ampliar o olhar para cadeias internacionais considerando as oportunidades de mercado para fins de exportação.

Oficina reúne representantes de empresas âncora para contribuir no posicionamento de cadeias de valor com atributos de sustentabilidade em mercados internacionais

A segunda oficina aconteceu em março e tinha o objetivo de instrumentalizar âncora e parceiras a promoverem atributos de sustentabilidade de seus produtos e de suas cadeias. A primeira atividade buscou compartilhar os resultados da média do grupo e o diagnóstico individual de cada empresa. “Os resultados serviram para compreender o estágio do grupo em relação à temática da sustentabilidade, além de ser uma fonte de referências e ideias para aumentar o conhecimento das empresas sobre o tema e oferecer subsídio para a construção dos Planos de Ação”, explica Ana Coelho, gestora do projeto.

O Plano de Ação proposto pela equipe GVces é o planejamento estruturado de todas as ações necessárias e a definição de um cronograma econômico-financeiro para a empresa viabilizar a exportação de seus produtos com atributos de sustentabilidade. 

Em seguida, conduzido por Annelise Vendramini, coordenadora do Programa Sustentabilidade Global do GVces, ocorreu uma palestra interativa sobre a ferramenta matriz de materialidade, com base no conceito proposto pelo GRI, e suas possíveis aplicações. O objetivo foi “elencar os temas de sustentabilidade trazidos pelo questionário de maior materialidade para empresa com foco em internacionalização”, comenta Coelho.

Também foi apresentado às parceiras da Beraca a ferramenta e o conceito do Canvas Business Model, detalhado no livro de Osterwalder e Pigneur. Este foi desenhado para a criação de modelos de negócio inovadores e mostra o resultado de forma visual, o que permite rápida compreensão de seu funcionamento para desenhar a estratégia de inserção no mercado externo. Outro conceito importante apresentado às parceiras da Braskem foi a abordagem de ciclo de vida (ACV). A ferramenta foi proposta como forma de auxiliar a empresa a identificar quais são os maiores impactos dos seus produtos e desenhar a estratégia de comunicação, explorando suas externalidades positivas.

Todas as empresas participantes dessa etapa passam a integrar a carteira de relacionamento com a Apex-Brasil e a ter acesso aos serviços oferecidos por ela, como a Plataforma Passaporte para o Mundo, o PEIEX, dentre outros.  Foi durante a segunda oficina que o PEIEX se apresentou para os participantes, comunicou seus benefícios e ofereceu apoio individualizado. A palestra conduzida pela equipe PEIEX da Apex-Brasil e da Fundação Vanzolini, forneceu diretrizes para tornar bem sucedidas as exportações das empresas, abordando as estratégias e etapas para internacionalização. Por fim, apresentou-se o template de Plano de Ação para que, individualmente, os participantes pudessem começar o seu preenchimento.

Próximos passos – a terceira e última oficina dessa etapa irá ocorrer em abril e tem o objetivo de promover parcerias na cadeia de valor para seu fortalecimento e projeção internacional.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)