ICV Global promove sua primeira oficina de mentoring com micro e pequenas empresas

06/05/2014
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Novo projeto do GVces em parceria com a Apex-Brasil inicia suas atividades de mentoring com as micro e pequenas empresas selecionadas. Oficina reuniu representantes dos doze empreendimentos participantes do projeto, que apresentaram suas estratégias de posicionamento de produtos e serviços com vistas ao mercado internacional

GVces, 06/05/2014
Bruno Toledo

As micro, pequenas e médias (M PMEs) empresas enfrentam desafios sérios na hora de expandir seus negócios para além das fronteiras nacionais. Além das dificuldades operacionais internas, como problemas de infraestrutura e de financiamento, muitos empreendimentos de menor porte precisam lidar com um aspecto crucial na hora de entrar no tabuleiro comercial internacional: como definir sua estratégia de atuação em mercados externos potenciais.

Um aspecto cada vez mais relevante dentro do mercado internacional, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, é a questão da inovação e da sustentabilidade associada ao produto e serviço oferecidos. Em muitos países, critérios e exigências de sustentabilidade estão se tornando um novo tipo de barreira não-tarifária, exigindo dos exportadores brasileiros a incorporação desse atributo em seus produtos e serviços – o que pode ser um desafio bastante complexo para as micro, pequenas e médias empresas, mas também uma oportunidade importante para ganhar espaço no mercado internacional.

Fazer com que essas empresas brasileiras de menor porte aproveitem essa oportunidade é uma das razões que levaram o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) a se unirem em torno de uma nova iniciativa – o projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global) . Lançado oficialmente no final de 2013, ICV Global pretende criar um novo modelo de exportação da marca Brasil como país inovador, sustentável e competitivo, a partir do apoio à inserção de MPEs brasileiras em mercados externos.

As equipes do GVces e da Apex-Brasil realizaram a primeira atividade com as doze micro, pequenas e médias empresas selecionadas nos dias 25 e 26 de março passado, no Auditório Itaú da FGV-SP, com uma oficina especial de apresentação geral dos objetivos do projeto, das empresas selecionadas e de suas estratégias de posicionamento de seus produtos e serviços no mercado internacional.

As motivações do projetohttps://s3-sa-east-1.amazonaws.com/arquivos.gvces.com.br/arquivos_icvglobal

Este projeto reúne a experiência do GVces nas áreas de inovação e empreendedorismo com o trabalho da Apex-Brasil de promoção das exportações brasileiras, atração de investimentos estrangeiros diretos e de apoio à inserção das empresas nacionais em mercados estrangeiros. “Queremos incentivar, buscar e encontrar inovações a partir de um ecossistema de empreendedorismo que promova uma nova economia, alinhada à sustentabilidade”, argumenta Mario Monzoni, coordenador-geral do GVces.

Os temas de inovação e empreendedorismo vêm permeando o trabalho do GVces nesses quase onze anos de atividade. Durante sete anos, o GVces foi o responsável pela condução do projeto New Ventures, uma iniciativa do Banco Mundial e do World Resources Institute (WRI) para apoiar microempreendedores voltados para inovação e sustentabilidade no acesso a venture capital. “No New Ventures, percebemos que essas empresas queriam não apenas buscar capital, mas também se conectar a cadeias de valor, queriam desenvolver negócios”, explica Monzoni.

Uma das iniciativas que decorreram do trabalho do GVces com o New Ventures foi o projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor , criado em parceria com o Citi e patrocínio da Citi Foundation em 2012, atualmente em seu terceiro ciclo de atividades. A proposta de ISCV é aproximar grandes empresas e pequenos e médios empreendimentos inseridos em sua cadeia de valor, de forma orientada à promoção de inovação em sustentabilidade ao longo dessa cadeia.

Segundo Monzoni, a experiência do projeto ISCV permitiu criar um tipo de ecossistema de inovação e empreendedorismo, uma rede de troca de informações, práticas e de parcerias entre as empresas. Uma das ideias do ICV Global é explorar esse ecossistema de empreendedorismo em prol do acesso das empresas brasileiras a mercados externos. Algumas das empresas envolvidas com ISCV fazem parte das 12 escolhidas no âmbito do projeto ICV Global, como a Atina, a Brasil Ozônio (Ciclo 2012), a Extrair e a REDERESÍDUO (Ciclo 2013).

Outra iniciativa que traz experiências e conhecimentos ao ICV Global é a ação de sustentabilidade desenvolvida ao longo de 2013 pelo GVces para o projeto Brazilian Furniture, conduzido pela Apex-Brasil. “A proposta deste trabalho inicial com a Apex-Brasil era apoiar o setor moveleiro brasileiro na promoção de boas práticas de sustentabilidade em seus processos, produtos e serviços, com vistas a aumentar a sua competitividade internacional”, explica Paulo Branco, vice-coordenador do GVces. “Essa experiência de trabalho com o setor moveleiro e com a Apex-Brasil nos permitiu conhecer com mais detalhes os desafios do pequeno empreendedor de trazer a sustentabilidade como atributo de negócio, e não como fator de novos custos”.

Para a Apex-Brasil, o projeto ICV Global representa uma oportunidade importante para se relacionar com as MPMEs selecionadas e conhecê-las melhor, de forma a orientar o trabalho que a Agência já desenvolve junto a esse segmento importante do universo empresarial, mas ainda pouco participativo nas exportações brasileiras. “Entendemos que os atributos de sustentabilidade e de inovação são marcos importantes para que as empresas brasileiras tenham acesso ao mercado internacional”, explica Gilson Spanemberg, gestor de projetos de sustentabilidade da Apex-Brasil. Para a gerente de sustentabilidade da Apex-Brasil, Adriana Rodrigues, o projeto é uma “oportunidade para promover e posicionar o Brasil como um país competitivo no mercado internacional, especialmente nos campos da inovação e da sustentabilidade”.

ICV Global: objetivos e trabalho do Ciclo 2014

A ideia desta parceria entre GVces e Apex-Brasil é aproveitar as MPMEs, que representam um setor bastante abrangente do universo empresarial brasileiro, e capacitá-las para competir no mercado internacional a partir de atributos de inovação e sustentabilidade, contribuindo para fortalecer a imagem do Brasil competitivo.

As empresas selecionadas pelo projeto participarão de um processo intensivo de capacitação em sustentabilidade, visando fortalecer seus negócios e desenvolver os atributos necessários para o posicionamento estratégico e diferenciado junto a mercados importantes para seus produtos e serviços. Além dos espaços de formação, o projeto proporcionará oportunidades de aproximação das empresas selecionadas com potenciais compradores e investidores internacionais. Saiba mais sobre as atividades previstas para o Ciclo 2014 de ICV Global aqui.

Para as empresas, espera-se que sua participação no projeto contribua para aprimorar seus modelos de negócio, seus processos de gestão, seus produtos e serviços, além de desenvolver networking e relacionamentos e acessar potenciais mercados e compradores diferenciados que valorizam inovação e sustentabilidade.

Durante os primeiros meses de 2014, a equipe de ICV Global realizou o processo de seleção das empresas para o ciclo. Quase 60 empresas se inscreveram, sendo pré-selecionadas. Dessas, finalmente 12 foram selecionadas para participar do projeto. Conheça mais sobre cada uma delas aqui.

Estudo de caso: AMMA

Os participantes da primeira oficina de mentoring também puderam conhecer um caso de empreendimento de pequeno porte que conseguiu desenvolver uma estratégia eficiente de inserção do seu produto no mercado internacional.

A AMMA Chocolate , empresa de chocolate gourmet, fundada pelo empresário Diego Badaró em 2010 em Salvador (BA), tem entre 50% e 60% do seu faturamento anual resultante do mercado internacional. O chocolate produzido pela AMMA é feito a partir de cacau plantado organicamente a partir de sementes de amêndoas cultivadas à sombra da Mata Atlântica. “Todo o processo produtivo é pautado pelo respeito aos processos da natureza, com o cacau cultivado em meio a floresta e aproveitando todas as suas características”, explica Mariana Marshall, (coordenadora comercial) da AMMA. A fábrica da AMMA é uma das poucas no Brasil que cuidam de todo o processo de produção do chocolate (“bean to bar”, da semente à barra), desde o plantio do cacau até a embalagem das barras de chocolate.

O cacau é cultivado com o método agroflorestal da Cabruca, beneficiando-se da sombra das árvores mais altas e da imensa biodiversidade circulante. Este método garante a preservação do solo, da fauna e da flora, potencializando o uso do solo com outros cultivos que não seriam possíveis com a monocultura.

A experiência da AMMA se relaciona bastante com o panorama do cultivo tradicional de cacau no sul da Bahia depois do desastre da “vassoura-de-bruxa”, nos anos 1990. “Com a decadência das grandes fazendas, quem resistiu e ficou na região decidiu adotar novos métodos e novas formas de trabalho”, explica Mariana. “A nossa aposta num processo produtivo mais natural e focado nas sensações que o nosso produto produz em seus consumidores nos permitiu entrar em mercados internacionais mais exigentes, com a participação em grandes eventos, como o Salon Du Chocolat de Paris”. A projeção internacional da marca atraiu também investidores estrangeiros, que depois se associaram à AMMA.

Próximos passos

As empresas participantes do projeto iniciaram nesta primeira oficina o chamado mentoring, que aborda todo o processo de capacitação das empresas nos temas da sustentabilidade e o desenvolvimento de estratégias e práticas orientadas para a inovação em sustentabilidade. Outras duas oficinas serão realizadas em abril e maio, que prosseguirão com o processo formativo.

Adicionalmente, será oportunizado às empresas participantes do projeto um evento específico e customizado para sua aproximação com potenciais compradores internacionais no âmbito de seus negócios. Essa aproximação visa dar estímulo às possíveis parcerias comerciais. Entre julho e setembro, o foco será intenso no aceleramento de impacto junto às empresas, com a equipe do projeto as auxiliando diretamente na incorporação dos atributos de sustentabilidade em seus produtos e serviços voltados para o mercado internacional.

O objetivo dessas etapas é preparar as empresas para a chamada “promoção comercial”, na qual entre três e cinco empresas com melhor desempenho do projeto participarão de uma viagem internacional com a equipe de ICV Global e da Apex-Brasil, que deve ser realizada no final de 2014.

Fotos: Felipe Frezza